terça-feira, 29 de março de 2011
Que futuro?
Pá eu acho que apesar da crise e das conclusões de um estudo muito bom que até foi feito nos Estados Unidos com base nos testes realizados a uma amostra alargada, composta por um total de 3 pessoas, todas membros da equipa de investigação (isto sou eu a imitar a introdução a uma "notícia" do telejornal), para mim e para quem me conhece, não há tema que encaixe tão bem no meu início de frase / marca registada "Pá eu acho que..." do que:
terça-feira, 15 de março de 2011
O fundo da realidade
Pá eu acho que apesar da crise (tenho que utilizar esta fórmula mais vezes para aumentar a aceitação do que escrevo) uso mais "Pá eu acho que no fundo..." do que "Pá eu acho que na realidade..." para começar uma divagação sobre um tema qualquer que não pertença a nenhuma classificação óbvia como "em Portugal" por exemplo, e a minha mulher concorda. Apesar disso achei que se usasse "no fundo" como nome para esta parte do blog ia criar a expectativa de se tratar de um espaço onde ia falar de quem na minha opinião tinha estado menos bem na última semana ou na noite dos Óscares ou no concurso miss t-shirt molhada da concentração de motas de Faro ou algo do género, o que não faz mesmo nada o meu estilo. Para alguém ser referido neste blog ou é porque vou falar muito bem ou é porque vai levar com um barril de napalm.
Para evitar confusões vou então usar "na realidade", se bem que isto acaba por ser um contra-senso já que nada é tão confuso como a realidade, como sabem todos os que viram o filme The Matrix: "What is "real"? How do you define "real"?" e principalmente todos os que já usaram e abusaram de substâncias psicotrópicas: "Aaaaghhhaaauuuaaa...". Mas no fundo a realidade só é confusa para nós porque tentamos compreendê-la e isso é simplesmente areia de mais para a nossa camioneta:
Todos os seres vivos são mecanismos que acumulam estímulos exteriores e executam determinadas reacções a esses estímulos (por exemplo o estímulo combinado desta frase introdutória e da quantidade de texto que ainda falta ler está neste momento a provocar uma reacção de extremo entusiasmo!). Com o aumento de complexidade de processamento dos estímulos, vão ganhando a capacidade de relacionar vários estímulos para uma reacção, guardar um registo dos estímulos recolhidos ao longo do tempo para conseguir uma reacção mais precisa mesmo que momentaneamente não existam estímulos (memória) e até a nossa faculdade de visualizar estímulos que não aconteceram e quais seriam as reacções possíveis (imaginação).
O encadeamento dos três tipos de processamento acontece naturalmente em nós. Um exemplo comum: é o primeiro aniversário do Martim (a ultrapassar Guilherme na lista de preferências pelo que ouço dizer (esforço hercúleo para me ficar por aqui - talvez num próximo napalm)) e ele está fascinado com a única vela em cima do bolo. A cor, luz e movimento são estímulos que motivam a exploração. Num momento de distracção geral consegue tocar na chama e recebe logo o estímulo de dor com uma intensidade que se sobrepõe aos outros e reage como todos sabemos. Este estímulo foi também intenso o suficiente para ficar guardado na memória e ele não voltará provavelmente a repetir a experiência (ok, com este nome deve precisar de repetir para perceber). Mais tarde quando se deparar com um fogão eléctrico, conseguirá imaginar o estímulo que receberá se tocar nele apesar de não existir chama.
Podermos imaginar faz com que tenhamos a dupla possibilidade de: ou continuar a reagir de acordo com os estímulos que sentimos, ou agir de acordo com a conclusão a que chegamos depois de visualizarmos aquilo que conseguimos imaginar sobre a situação. Tradicionalmente chamamos acto irracional à primeira possibilidade e racional à segunda tal como nos chamamos orgulhosamente racionais a nós e irracionais aos outros. A maior parte do nosso comportamento é motivado no entanto por estímulos reais e não imaginados, por isso quanto muito podemos ser "racionáveis", por termos a possibilidade de ser racionais pontualmente.
Quando falamos com alguém, por exemplo, estamos conscientemente focados na troca de palavras e mesmo antes, ao visualizar a conversa, só imaginámos essa parte ("se ele disser isto lembro-lhe aquilo...", etc.), no entanto existe um jogo inconsciente de troca de estímulos e reacções durante a conversa que vai definir todo o nosso comportamento (ok, há conversas em que nem sabemos o que estamos a dizer por estarmos focados noutro tipo de estímulos mas vamos assumir aqui que se trata de uma conversa típica). Até a única parte da conversa que seria supostamente racional (o discurso) por ser a única de que temos consciência, é modificada pelos estímulos que sentimos: tendo imaginado uma conversa ou até tendo um guião à nossa frente, mesmo assim não dizemos a mesma coisa a duas pessoas sendo uma do mesmo sexo e a outra de sexo oposto, uma nova e outra velha, uma percebida como socialmente ou profissionalmente inferior e a outra superior, estamos num dia "bom" ou num dia "mau", etc.
Como na maior parte dos casos não usamos a nossa imaginação, ficamos tendencialmente presos aos estímulos que tivermos acumulado. Uma pessoa que tiver passado a infância a ouvir que indivíduos de outra raça, religião, nacionalidade, etc. têm uma determinada característica, só deixará de acreditar nisso se acumular estímulos suficientes em sentido contrário, ou se conseguir imaginar que essa opinião não é verdadeira ou que pelo menos deixou de ser verdadeira. A imaginação só funciona a um nível consciente no entanto, daí termos fenómenos como o racismo não explícito. De qualquer forma imaginar essas hipóteses também reequilibra a intensidade dos estímulos recebidos (quem acredita firmemente em algo ignora 9 estímulos contrários em 10 e vê o último como a confirmação).
Isto é mais fácil de dizer do que fazer claro. Especialmente porque, mais uma vez, não estamos isolados. Tendo em conta que os estímulos provocam-nos reacções irracionais e que existem mais estímulos quando estamos em grupo, pela lógica a racionalidade de um grupo não organizado é inversamente proporcional à sua dimensão, como sabem bem todos os que já participaram em reuniões de grupos grandes, assembleias (incluindo a da República), etc.
Quando nos perguntamos como é que foi possível todo um país seguir cegamente um louco numa guerra que matou milhões, a resposta passa fundamentalmente pela utilização da tal irracionalidade das massas alimentada por uma contínua sobre-estimulação com as ideias do regime. A inovação foi o uso como estímulo do método de propaganda "A grande mentira" preconizado pela célebre frase "uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade". Até lá ninguém tinha imaginado que uma população inteira fosse influenciável por uma mensagem claramente errada mesmo que repetida até à exaustão. No fundo trata-se apenas de trazer para a Psicologia o conceito de explosão como visto pela Física: estimulação externa de um determinado material para que se inicie nele uma reacção em cadeia que leva a uma libertação súbita de energia.
Mas para acontecer este tipo de fenómeno não é necessária uma decisão consciente, basta que exista o estímulo suficiente para começar a reacção auto estimulante como em fogos florestais, furacões, etc. Algo do género é o que existe em Portugal provavelmente desde o fim do séc.XVI. Com a contínua perda de importância internacional, riqueza, território e até conhecimento, gerou-se uma onda de derrotismo, vitimização, apatia, sarcasmo, etc. que se tem auto reforçado continuamente até hoje e para alguém fugir dela é preciso isolar-se durante algum tempo de tudo o que seja comunicação social e até mesmo de conversas de grupo porque já é algo totalmente enraizado na nossa cultura. Para todo o país mudar a mentalidade será preciso existirem estímulos em quantidade suficiente que contrariem a ideia mas isso é exactamente o que essa atitude tem impedido. Conseguir que uma parte significativa da população tenha tido a experiência de viver noutra cultura durante algum tempo será talvez o contributo possível de maior impacto.
Individualmente, a única forma de escapar a esse processo estímulo - reacção é então a imaginação. Como é que conseguimos fazer dieta apesar de todos os estímulos nos motivarem a comer maior quantidade e alimentos com maior valor energético? A resposta óbvia é: por imaginarmo-nos mais atléticos, saudáveis, etc. e esse estímulo ser forte o suficiente para bloquear a reacção que ocorreria por defeito. Na realidade, no entanto, arrisco-me a dizer que na maior parte dos casos as pessoas fazem dieta reagindo a estímulos de pressão social já que todos estamos bastante conscientes de qual deve ser o aspecto físico ideal e da hierarquização que é feita com essa base. Pegando numa pessoa que faz uma dieta rigorosa, supostamente por preocupações de bem-estar, saúde, etc. e colocando-a sozinha num supermercado que se auto reabastecesse eternamente e ela tivesse a clara consciência de que nunca mais ia estar com ninguém, será que continuava a comer na secção da fruta e legumes ou passava a ir para os doces? Eu posso dizer que ia para os queijos e enchidos!
Provavelmente não existe nenhum comportamento generalizado que seja motivado pela imaginação mas com ela conseguem-se grandes feitos e avanços civilizacionais. Uma pessoa que tenha uma visão, um sonho, etc. e se agarre a isso para decidir as suas acções independentemente dos estímulos que receber será muito mais provavelmente bem sucedido, pelo menos na realização desse sonho. Em vez de ou para além de reagir aos estímulos do grupo em que está inserido terá também iniciado um novo encadeamento de estímulos porque quem o rodeia irá reagir ao seu comportamento inovador. Com insistência própria e receptividade do grupo, o encadeamento de reacções pode atingir uma dimensão enorme como no caso de grandes líderes.
A nossa imaginação é no entanto, ao contrário do que é costume dizer, muito limitada. Conseguimos imaginar tudo, mas poucos cenários de cada vez (como sabem todos os que já fizeram um sudoku de nível difícil, jogam xadrez, etc.). Por isso é que para compreendermos alguma coisa temos a tendência de a isolar de tudo o resto para que todas as hipóteses sejam possíveis de imaginar simultaneamente. O problema é que quase tudo funciona em interacção com o que o rodeia, tal como nós numa conversa, por isso o isolamento conduz normalmente a conclusões incorrectas porque transmitem uma imagem de linearidade (um estímulo - uma reacção) que não existe num ambiente não isolado. Em não isolamento os comportamentos seguem normalmente o tal padrão de acumulação de estímulos até desencadear uma determinada reacção como: tensão das placas tectónicas até provocar um terramoto, peso da neve até provocar uma avalancha, número de clientes antipáticos até passarmos a tratar mal quem nos apareça à frente, número de erros até sermos despedidos, número de parágrafos até desistirem de ler o post (já chegaram até aqui, só mais um esforço vá lá!). Tudo isto não é linear e não permite conclusões porque não conseguimos imaginar todos os estímulos envolvidos - é confuso, é o caos.
A realidade é então confusa porque não conseguimos imaginar mais que uma pequena fracção de tudo o que a compõe. No entanto, se por um momento deixarmos de nos preocupar em compreender e focarmo-nos só em sentir, ficamos mais conscientes dos estímulos que nos estão a afectar num determinado momento (quente, áspero, doce, sereno, brisa, saudade, etc.) e com o seu conjunto conseguimos ter uma visão de uma pequena parte da realidade - uma visão da nossa realidade. Se aproveitarmos a oportunidade para materializar o que sentimos nesse momento, de uma forma qualquer, não pensada, não estruturada, acima de tudo não compreendida, nasce a obra de arte. Este continua a ser o nosso melhor processo de descrever e partilhar a realidade mas também o menos...compreendido.
-//-
Este post acabou por ficar mais uma dissertação que outra coisa por isso para evitar que me levem a sério acho melhor fazer um alerta:
Aviso legal:
O autor do texto acima não teve a mínima preocupação em fundamentar devidamente o que escreveu, na maior parte dos casos porque o que escreveu não tem qualquer fundamento. Agora a sério: este gajo não percebe nada do que está a dizer por isso não o citem em conversas, textos, ou outras ocasiões potencialmente embaraçosas porque ninguém deste blog será responsável solidariamente por nada a não ser pela gozação resultante.
A leitura deste aviso não dispensa a leitura do post.
terça-feira, 1 de março de 2011
Em Portugal...ou não!
Pá eu acho que Portugal (como região geográfica) historicamente não se governa nem se deixa governar.
Mentira! Quem achou isto foi o Júlio César ou outro romano qualquer da mesma época (porque é que ligamos ao que tipos que se vestiam com lençóis, espanadores e sandálias achavam, mesmo?), não sendo claro exactamente quem, nem se achando sequer registos que evidenciem essa afirmação. Se calhar foi afinal alguém do aparelho de propaganda do Estado Novo que achou que isto era mais uma bela peta romântica a enfiar nos livros de história, achando que em troca dela acharia mais uns tostões no bolso. Ou então é simplesmente algo que todos achamos e achámos e acharam todos os que em Portugal (com esse ou outro nome) se acharam, ou que mesmo fora dele tiveram a oportunidade de interagir com a sua venturosa gente.
Penso que mais importante que saber quem disse a frase e sobretudo mais definidor do que é ser português é por um lado o facto de a frase continuar a sobreviver através de renovadas citações, o que sugere concordância generalizada, e sobretudo por outro lado a forma como essa concordância é feita: a frase na boca de um romano de há uns 2100 anos indicia menosprezo pela forma de organização do adversário e pela sua inteligência ao rejeitar teimosamente a possibilidade de evolução civilizacional, enquanto que a mesma frase na boca de um português há cerca de 2:10 horas enquanto discutia com os amigos a hipótese da entrada do FMI em Portugal indicia orgulho por não nos deixarmos governar mas também um misto de resignação e orgulho disfarçado por o país não se governar (como um pai que repreende o filho por fazer uma asneira mas que interiormente pensa "eh eh, aquele malandro, sai mesmo ao pai!").
Essa resignação e orgulho disfarçado que sentimos por o país não se governar talvez explique porque é que nesse aspecto nada mudou em pelo menos 2100 anos. Conseguimos continuar orgulhosamente a não nos deixarmos ser governados mas aparentemente por outro lado não sentimos na realidade que seja muito importante para nós que o país se governe. Acho que existe um terceiro factor, que os romanos não consideraram por limitação da sua própria cultura mas que na nossa interpretação está implícito porque nem precisa de estar explícito de tão óbvio: é que para cada português o que é mesmo importante é que cada um se possa ir governando a si, independentemente do colectivo. Para a maior parte dos outros povos a lógica é: se o país for bem governado cada um ganha. Para nós o que faz sentido é: se cada um se souber governar o país todo ganha. Portanto permitam-me que complete finalmente a frase: Em Portugal não se governam nem se deixam governar mas cada um vai-se governando!
Isto tem todo o tipo de repercussões no dia-a-dia de um português. Tudo o que tem a ver com o colectivo como regras, leis, objectivos de grupo, prazos dilatados, etc. são conceitos muito difíceis de interiorizar por nós e mais difíceis ainda de pôr em prática. O ideal mesmo é termos o nosso objectivo individual e poucas restrições para podermos desenrascar como for mais fácil. Quanto a prazos, internacionalmente entende-se que curto prazo é menos de um ano, médio prazo entre 1 e 3-5 anos e longo prazo a partir daí, enquanto que em Portugal a convenção é que curto prazo é para já (era para ontem), médio prazo é depois de um café, refeição, etc. e longo prazo é para amanhã. Prazos mais longos são para um português algo que pertence a um domínio mais metafísico, aliás o próprio conceito de "amanhã" já é diferente entre nós e pessoas de outras nacionalidades, gerando frequentes mal-entendidos.
Tudo isto faz com que cada português seja normalmente individualista, pouco organizado e planeado, muito criativo e adaptável, prefira objectivos individuais e de curto prazo, deteste regras mas seja muito flexível. Em resumo, alguém péssimo para ter uma boa produtividade numa actividade contínua e rotineira mas excelente para resolver crises urgentes ou inovar em qualquer área.
Esta ideia é transmitida de forma brilhante por uma história que me foi contada há uns anos: no séc. XVII os holandeses sucederam-nos no domínio do comércio das especiarias por nos terem conquistado alguns portos no que é hoje a Indonésia mas como ainda não conheciam bem aquelas águas perigosas em que centenas de ilhas estão acima ou abaixo da superfície de acordo com a maré (Afonso de Albuquerque naufragou lá depois da conquista de Malaca perdendo uma fortuna avaliada hoje em dezenas de biliões de euros!) tiveram que contratar navegadores portugueses experientes para guiar os navios. O choque cultural entre os comandantes holandeses e os navegadores portugueses ficou guardado num ditado holandês da época dividido em três partes:
"
1 - Nenhum navio pode sair do porto sem ter um português a bordo;
2 - Pergunta: Qual é a primeira coisa a fazer assim que o navio sai do porto?
Resposta: Prender o português;
3 - Pergunta: Quando é que se deve soltar o português?
Resposta: Quando tudo estiver a falhar!
"
Devo dizer que o meu chefe é holandês mas até agora ainda nunca me prendeu. Não posso garantir no entanto que nunca tenha pensado nisso...
Por falar em portugueses a trabalhar para estrangeiros, a nossa tendência para a emigração também é facilitada pelas nossas características: motivados por objectivos pessoais, flexíveis, sem sentir decréscimo de segurança significativo por sair do seu grupo de origem, muito adaptável, etc.
Isto é válido tanto para os emigrantes tradicionais como para os emigrantes mais qualificados de agora. Por experiência própria posso também dizer que quem sai de Portugal com alguma experiência de trabalho, habituado aos nossos prazos (descritos acima) é visto no estrangeiro como surpreendentemente calmo, mantendo uma postura zen mesmo quando tem que cumprir com os prazos mais "apertados". Vá-se lá saber porquê!
O problema é que como geralmente só sabemos resolver crises e não planear e preparar tudo metodicamente e antecipadamente, uma organização só de portugueses acaba por ir deixando tudo chegar a urgente antes de ser tratado, o que faz com que pareça que estamos sempre a ir de crise em crise, como pode ser visto pelo próprio país, pela selecção de futebol, etc.
De qualquer forma é preciso admitir que nos temos sabido desenrascar ao longo da história e Portugal não tem mesmo paralelo na estabilidade da sua independência e fronteiras. Um amigo alemão perguntou-me um dia como é que nós tínhamos conseguido essa proeza tendo como vizinho um país que esteve em guerra e invadiu ou tentou invadir quase todas as regiões da Europa e arriscou: "vocês devem ser mesmo bons a andar à porrada!" mas na realidade conseguimos o feito ainda maior de arranjar sempre uma forma mais subtil de chegar aos nossos objectivos. Desde os primeiros registos históricos, passando por Afonso Henriques, Vasco da Gama, as duas guerras mundiais, o 25 de Abril, etc. sempre mostrámos uma enorme capacidade de improvisação e de auto-preservação. Isso faz pensar que será mais provável Portugal existir daqui a uns 500 ou 1000 anos do que outros países mais ricos, maiores, etc. Citando Darwin: "Não é a mais forte das espécies que sobrevive ou a mais inteligente, mas sim a mais adaptável à mudança.".
Se juntarmos a isto o nosso humanismo: primeiro país a abolir a escravatura, primeiro país a abolir a pena de morte, principal porta de saída da Europa para os Judeus durante a 2ª Guerra Mundial, etc., o nosso excelente clima e gastronomia aos quais quem sempre viveu em Portugal nunca conseguirá dar o devido valor, são razões mais que suficientes para ter amor e orgulho pelo nosso país.
De qualquer forma, como bom português, estou no estrangeiro a usufruir de uma qualidade de vida que levaria bastante tempo a ter em Portugal. Talvez um dia (muito) mais tarde volte a viver em Portugal dependendo da evolução do sistema nacional de saúde. Entretanto vou fazendo lá férias de vez em quando claro. Vou também acompanhando o que vai acontecendo, com a serenidade de saber que raramente sou afectado directamente, com a distância suficiente para ver as coisas em perspectiva e com o comparativo de outras realidades. Espero que isso dê alguma relevância às opiniões que vou passar a escrever por aqui sobre Portugal.
Entretanto já sabem: esqueçam o (des)Governo e vão-se governando!
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